Como isso tudo caiu em minha vida?

Desde os primórdios da minha infância eu notava um cuidado excessivo com meus brinquedos… tudo muito anormal para uma criança de 4 anos. Com o passar do tempo, meu amor pelos objetos ficava cada vez maior. Meu quarto era repleto de pilhas e caixas dos mais diversos materiais e tamanhos, artigos e recortes, revistas e até peças de brinquedo quebrados “que tinham uma história”.
Resumo da obra? Parecia com aquele livro infantil “O menino que quase morreu afogado no lixo”.

Guardava de embalagens fofas até qualquer tralha que eu poderia criar uma afeição. Naquela época eu só parecia uma criança normal-mas-nem-tanto que gostava de acumular coisas. Mas tarde entendi que era um apego anormal. Só notei que não era saudável quando atingi o final de minha adolescência.
Memórias, presentes de “consideração”, lembranças de eventos e aniversários… coisas que “podem ser úteis um dia” ou “fulano (a) me deu, tenho que guardar” são clássicos de pessoas com dificuldade de se desprender de alguns bens materiais.

Isso é doença? Até onde isso é saudável? Você é a senhora da razão?

Acho que se torna “doença” quando essa obsessão por acumulação começa a atrapalhar sua vida de alguma maneira, direta ou indireta.
Acredito também que deixa de ser saudável quando nos sentimos muito presos emocionalmente a objetos.
“não trate objetos como pessoas”.

De forma alguma sou dona de alguma verdade ou possuo um dom incrível que me habilitou saber os segredos da vida humana perfeita. Apenas descobri nessa saga, um novo estilo de vida, que me deixou muito mais leve e feliz. E aqui estou eu, humildemente, querendo passar isso adiante.

Como se iniciou de fato minha “loucura por arrumação”:

Tudo se deve pelo meu vício em arrumar meu quarto, lance esse, que se iniciou em algum momento dos últimos anos e tem se estendido até então.

Minha mãe sempre fazia aquelas “Grandes Faxinas” de final/começo de ano. Então eu, como uma pequena acumuladora sofria horrores vendo meus bens e apegos indo embora de minha vida. Era bem traumático o método dela: quando via meu quarto bagunçado demais, atirava todas as coisas no chão e me fazia arrumar tudo novamente.

Desde nova chorava horrores quando doava brinquedos, pois todos para mim eram especiais de alguma forma, mesmo que eu não brincasse mais com eles. E graças a Toy Story, tinha medo de ver brinquedo meu chorando por que não o “amei o suficiente”.

Após essas lavagens cerebrais de minha mãe e com o decorrer do meu crescimento fui criando uma necessidade e certo prazer por arrumar meu quarto. Era um momento muito meu e até hoje, acho divertidíssimo (vai entender).

Em meados de 2014/15 para os anos atuais, comecei a tomar cada vez mais gosto por arrumação, fazia faxinas grandes mensais e regularmente me desfazia de roupas e ajudava amigos a fazer o mesmo.

O grande BOOM das minhas “loucuras faxinais” veio quando comecei a trabalhar numa livraria e um livro chamado Marie Kondo: A Mágica da Arrumação. O livro mal tinha lançado e vendia muito. Tinha uma pilha decorada dele na loja e começou a me despertar certa curiosidade.

Ainda assim, eu tinha outras prioridades, como gastar quase meu salário todo em Lego, Hq’s e outros livros. Ah, jovem Ana…

Meados de 2016

Uns meses depois que saí da livraria me deparei com o livro novamente e pensei “eu gosto de arrumar, vai que aprendo algo de interessante” e comprei o tal livro.
Marie captava muito o meu feeling com os objetos. Eu tratava as coisas quase melhor do que as pessoas. Tinha um carinho muito, muito grande com meus livros e figuras de ação que cercavam meu quarto.
A sede por suprir minhas inseguranças e apaziguar a ansiedade e tristeza que me assolava, era toda transferida para compras fúteis que lotavam meu quarto e me esvaziavam por dentro. Era quase um alívio aderir a meu quarto ou guarda-roupa, mais uma peça. Mas logo depois, percebi o atraso que essas me trariam.

Memórias, cartas entregues, cartas nunca entregues… pelúcias das mais diversas, coleções de bonecos (relativamente caros), livros e mais livros (boa parte deles nunca lido). Minha vida era um acumulo louco. Eu achava que os objetos me mostravam como eu me via no mundo. Eu me via diferente, alternativa, geek ou sei lá o que. Cineasta talvez? Olha aqui minha coleção de dvd’s…

Tudo isso depois de um tempo começou a me enlouquecer… não conseguia me concentrar em nenhum projeto, minha vida parecia ter estagnado e minha escrivaninha NUNCA estava livre para meus lapsos criativos.

Meados de 2016

Mas será que isso tudo são os objetos? Será uma depressão/ansiedade falando? Logicamente isso tem sua percentagem e custo nos devaneios que passei. Mas eu me percebi cercada de coisas que não me faziam necessariamente mais feliz ou se quer, eram uteis a mim. Então para que ter todas elas? Para fotos no Instagram? Para me mostrar legal para amigos e conhecidos? Esse exterior todo dedicado a uma imagem de uma Ana Luiza, mas uma Ana Luiza quase personagem.

Em 2017 eu aperfeiçoei alguns métodos de arrumação, mas não estava satisfeita. Por que? Arrumar, comprar organizadores, espremer espaços eram um disfarce. Estava eu pronta realmente para me desvincular de tudo?

Registro do início de /2017

Hoje cada vez mais me desfaço, considero tudo isso um processo. Eu levei meeeses para chegar no nível de desapego que cheguei. E sinceramente? Não me arrependo de nenhum deles.

Eu costumava guardar um enorme e recheado caderno de grandes lembranças também. Ingressos de shows, cinemas, desenhos, cartas, flores e tudo que se imaginar. Mas percebi que era um refúgio ao passado, algo que apesar de nostálgico e belo, me impedia de tomar novos rumos.

Início de /2016 – Desapegando do “caderno de recordações” – Cenas Fortes, cuidado

Eu sempre achei que me conhecia completamente. “Nunca vou usar esse tipo de roupa”. “Nossa, jamais vou me desapegar da minha coleção de Star Wars e Senhor dos Anéis”.

Hoje sou extremamente leve nesse sentido. Dou de presente coisas minhas para amigos, doei diversos brinquedos e blusas para crianças e até ganhei uns dinheiros com uns livros mais caros…

Senti o que? Um enorme alivio, um agradecimento enorme por ter passado por tudo aquilo, pois cada coisa que adquiri teve sua história. Mas agora? Agora esses objetos partiram para criar novas histórias com novas pessoas e gerar novos propósitos ❤

Em breve pretendo falar mais da minha experiência, assim como sugestões de livros, canais e dicas de organização, tanto pras coisas quanto para vida.

(Indicações)
Livros:

Marie Kondo – A arte da Arrumação

Marie Kondo 2 – Isso Me Traz Alegria?

Francine Jay – Menos é Mais

Greg McKeown – Essencialismo

Documentários/Séries:

Minimalism (tem na netflix!)

The True Cost (tem na netflix!)

Youtubers/Canais inspiradores:

The Minimalists – (referentes aos rapazes do Documentário Minimalism citado acima)

Canal da Jenny Mustard

Bremedê Blog – Bruna Medeiros

Sem Moldura – Luiza Ferro

Consumenos – Keloane

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